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Sobre idéias e consequências

Que isso sirva de lição aos eleitores: as idéias têm consequências. Ao depositar um voto de confiança em um político não se deve jamais avalia-lo usando como critério de seleção o seu plano de governo. Propostas eleitorais são rasgadas tão logo o político é empossado. Assim, o que verdadeiramente importa é aquilo que ele professa no dia-a-dia. O exemplo a seguir é emblemático e espero que contribua para consciência cívica do eleitor.

Recentemente o vereador Thiago Ferrari assinou um artigo intitulado “O gigante acordou” em que ele afirma que o Brasil é um país preconceituoso, separatista, xenófobo, racista e que é preciso combater o ódio por meio de “campanhas de esclarecimento e disseminar ações afirmativas”.

Pois bem, a sincronia entre o discurso adotada pelo vereador Thiago Ferrari e o discurso oficial difundido pelo Partido dos Trabalhadores é tamanho que, ora vejam só, no prazo de apenas poucas semanas o que era uma simples idéia inofensiva materializou-se em política de Estado com um potencial de transforma-se em uma verdadeira Stasi a serviço do PT.

O governo federal anunciou que irá mapear os crimes de ódio na internet. Era o que faltava ao PT, o controle sobre aqueles que ousam chamar as coisas pelo seu devido nome. Se você fala que o partido é uma organização criminosa é logo identificado como um estimulador do ódio e responde um processo, a exemplo do que ocorreu com o senador Aécio Neves.

O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira, declarou no lançamento do programa que irá monitorar e mapear crimes contra os direitos humanos nas mídias sociais que “Não podemos permitir que o que a internet representa hoje para nós seja desvirtuado de modo a causar violência, sofrimento e divisões” . Ora, a única divisão que existe hoje é entre PTistas e anti-PTistas, sem qualquer pretensão de querer rachar o país. Não se enganem, a luta que empreendem é sobre o controle do único ambiente ainda livre por aqui: a internet.

Em suma, o que essa gente de discurso conciliador defende é o monopólio das esferas de poder. Não contentes em ter o controle hegemônico da mídia, do sistema judiciário, do legislativo e ao que tudo indica longe de perder a soberania do executivo ainda querem controle absoluto sobre quem faz apologia do ódio. Nada mais patológico para quem construiu sua base eleitoral fundado em ideologias marxistas de ódio de classes e divisões artificiais da sociedade que compreendem variantes dessa mesma fórmula como a oposição de mulheres contra homens, filhos contra pais, homossexuais contra heterossexuais, sem terra contra produtores rurais, negros contra brancos, não cristãos contra cristãos, gordos contra magros etc, etc, etc. Essa lista pode estender-se ao infinito, basta identificar uma oportunidade de incitar o conflito e a divisão artificial da sociedade está criada.

Ao vereador Thiago Ferrari foi concedido o benefício da dúvida ao responder o meu artigo anterior “Sensibilidade Seletiva” (veja a réplica dele aqui). Ao rebater sua resposta questionei-o quanto ao controle efetivo de criminalização da oposição, apontamento que jamais foi respondido.

Sabemos o que ele pensa sobre o trabalho da imprensa, basta agora calar você, eleitor que não concorda com os abusos desse “projeto criminoso de poder”, nas palavras do ministro Celso de Melo.

E por falar em abuso, o endosso moral do vereador Thiago Ferrari ao combate dessas formas dissonantes de manifestação pode ser traduzida na truculência da polícia do senado ao retirar à força das galerias do Congresso Nacional a aposentada Ruth Gomes de Sá de 79 anos na sessão que votava a lei do calote.

Como disse no início desse artigo idéias têm consequências e o vereador Thiago Ferrari assume responsabilidade intelectual por essa cena.

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6 comments on “Sobre idéias e consequências

  1. […] engendra pelo expediente do assassinato de reputações Thiago Ferrari defende que é preciso combater o ódio por meio de “campanhas de esclarecimento e disseminar ações […]

  2. […] Sobre idéias e consequências – publicado em 04/12/14; […]

  3. […] partido, em dezembro, quando Renan Calheiros (PMDB-AL) mandou esvaziar o Congresso Nacional para fazer passar a Lei do Calote sem interferência do povo que estava presente nas […]

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