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Eficiência vs Propaganda

Semana passada o blog Adote um Vereador debruçou-se sobre um tema capital: a qualificação necessária da classe política para o pleno exercício de suas atribuições.

Os artigos em questão – Maluquice!, Procura-se e Insanidade! – evidenciam que a eficiência e o zelo com a coisa pública não são o forte daqueles que ocupam um assento na Câmara Municipal de Campinas. Ainda assim, os candidatos, em franca campanha eleitoral, se esforçam para convencer-nos de sua competência.

A empulhação começa com a contratação de um publicitário que tentará vender-nos a imagem de um homem do povo, preocupado com as mazelas sociais, que é sério e trabalhador, alguém com um projeto de futuro grandioso, o verdadeiro portador da esperança!

Mas ao contrário deste mundo da fantasia publicitária, para que candidatos exerçam uma gestão eficiente das finanças públicas exige-se deles muito mais do que belos sorrisos embalados por jingles encomendado para vender a imagem do que os candidatos não são.

Na verdade, se tais candidatos fossem realmente qualificados para o cargo os comitês da campanha não precisariam contratar equipes publicitárias para dar a aura de competência e seriedade aos candidatos. Bastaria, portanto, exibir o currículo do aspirante ao cargo eletivo. Aliás, no mundo das pessoas honestas e competentes (estamos falando do mundo real e não de gente que ganha a vida instalada em gabinetes mantidos com dinheiro público) um detalhe fala mais alto do que o marketing pessoal: experiência e reputação.

Experiência mostra o seu histórico, aquilo que você fez, quais resultados obteve, seus erros e seus acertos neste trajeto, como lidou com situações de pressão e o que fez para contornar momentos adversos, estratégias que adotou visando um objetivo futuro, se precisou rever suas metas nesse curso e quais desafios você encarou para crescer com a empresa enquanto colhia dividendos profissional e pessoal. Tudo isso compõe um substrato de valor pautado pela projeção da carreira e fundado na construção de bases sólidas de conhecimento.

Quanto à reputação, creio que ela fala por si mesma. Profissionais de respeito têm um nome a zelar por tudo aquilo que fizeram em suas vidas pregressas. A reputação, assim como a honra, está intimamente associada ao nome da família e será passada às gerações futuras como motivo de orgulho ou de vergonha, a depender dos feitos do passado. Apenas para ilustrar a questão e dar o devido peso da reputação, relembremos de nomes emblemáticos como Madre Teresa de Calcutá e Adolf Hitler. É desnecessário dizer que a reputação é o cartão de visitas que precede o próprio profissional.

Assim, experiência e reputação devem ser o norte moral que orientam o eleitorado na busca de candidatos a altura dos cargos eletivos.

Neste sentido, espera-se que as informações disponibilizadas a seguir contribuam para que o eleitor faça sua escolha no dia 5 de Outubro. Atualmente, 10 dos 33 vereadores de Campinas são candidatos a um cargo, seja para a Assembleia Legislativa seja para a Câmara dos Deputados.

Vereadores candidatos a Deputado federal:

  • Luiz Lauro Filho (PSB)
    Formação: Publicidade
    Pós-graduação: Gestão Pública e Economia Urbana.

    Matéria legislativa: Dentre a gama de projetos absurdos apresentados pelo vereador e sobrinho do prefeito Jonas Donizete temos algo digno de ser analisado por um psiquiatra, tamanha a dose de insanidade. Acreditem ou não, mas Luiz Lauro Filho propõe erradicar o distúrbio mental de pedófilos com peças de marketing! (Projeto de Lei Nº 393/2013 – processo 214828).

    Agravante de ordem moral: Luiz Lauro Filho deixou textualmente expresso o desejo de esconder informações da população no projeto de resolução Nº 18/2013 – processo 214928:

    “…a presente proposição também inclui a alínea ‘f’, no artigo 55, aumentando o âmbito de atuação da referida comissão, atribuindo a ela a função de opinar e/ou OMITIR parecer sobre projetos de lei que tenham relação com o desenvolvimento sustentável.”

    Agravante de ordem administrativa: Luiz Lauro Filho estourou a cota de combustível durante o mês de setembro de 2013. Maiores detalhes podem ser conferidos aqui.

  • Roberto Alves (PRB)
    Formação: Superior incompleto, o que, em tese, já não o qualificaria para assumir uma vaga de maior responsabilidade. No entanto, já foi deputado estadual em 2003 e suplente de deputado federal em 2009. A experiência em tais cargos parece não ter revertido positivamente em seu trabalho como vereador.

    Matéria legislativa: Suas propostas oscilam entre assuntos relevantes como o descarte adequado de medicamentos (Projeto de Lei Ordinária 276/2013 – Processo 213978) e incoerências lógicas sem qualquer efeito prático, mas que oneram os cofres públicos como oferecer merenda escolar durante o período de férias com o objetivo de melhorar o desempenho dos alunos (Projeto de Lei Ordinária 275/2013 – Processo 213977). Maiores detalhes podem ser conferidos aqui.

Vereadores candidatos a Deputado estadual:

  • Campos Filho (DEM)
    Formação: Jornalismo. Está no quarto mandato como vereador de Campinas e atualmente acumula o cargo de Presidente da Câmara Municipal.

    Matéria legislativa: Apesar da experiência legislativa apresentou poucos projetos de lei, praticamente nomeando ruas. Maiores detalhes podem ser conferidos aqui.

    Agravante de ordem moral: Campos Filho, diante de denúncias de fraude em licitações de contrato com a própria Câmara Municipal de Campinas, não hesita em afirmar que não pode responder pelos atos de outros gestores – ainda que ele mesmo fosse vereador neste mesmo período. Detalhes do caso aqui.

  • Carmo Luiz (PSC)
    Formação: Superior incompleto.

    Matéria legislativa: Embora esteja em seu primeiro mandato como vereador Carmo Luiz apresentou diversos projetos de lei contemplando assuntos variados. Talvez o trabalho de maior relevância seja a proposta de revogação da falida progressão continuada como sistema de avaliação educacional (Emenda a Lei Orgânica do Município 143/2014 – Processo 215711). Um artigo com os detalhes de suas propostas será publicado em breve.

  • Cidão Santos (PROS)
    Formação: Ensino médio completo. Está no seu terceiro mandato como vereador.

    Matéria legislativa: Apesar de ser um veterano na política Cidão Santos comporta-se como se não conhecesse as atribuições do cargo. Seus projetos de lei ignoram problemas sérios da cidade para focar em temas que não são do interesse coletivo. Um exemplo disso é a proposta para regular o tempo de espera nas filas de cinema (Projeto de Lei 154/2013 – Processo 213391). Um artigo com os detalhes de suas propostas será publicado em breve.

  • Edson Ribeiro (PSL)
    Formação: Apesar de ter o ensino fundamental completo, ao comunicar-se verbalmente usa expressões como “não me alembro (SIC)”, “Eu luto muito contra a desigualdade social porque muitos têm muito e muitos não têm nada” [dificuldade em raciocinar logicamente], “menas (SIC) favorecidas”, “menorias (SIC)” – tudo isso em uma única conversa de menos de 5 minutos (confira aqui). Está no primeiro mandato como vereador.

    Matéria legislativa: Apesar de ter uma produção legislativa pequena, apenas 5 projetos de lei, uma proposta chamou a atenção positivamente por instituir no município de Campinas uma contra partida às concessionárias de automóveis no combate a emissão de Gases de Feito Estufa: a cada 10 veículos vendidos uma árvore seria plantada (Projeto de Lei 241 – Processo 213794).

  • Rafael Zimbaldi (PP)
    Formação: Ensino médio completo. Está no terceiro mandato como vereador.

    Matéria legislativa: Embora tenha experiência legislativa, e em que pese já ter transcorrido quase metade do atual mandato, desde 2013 Zimbaldi apresentou apenas um único projeto de lei que não fossem para nomear ruas. A produção legislativa, absolutamente pífia, já seria motivo de vergonha por si só, mas o tema de que versa o Projeto de Lei Complementar 39/2014 – Processo 217507 consegue rebaixar ainda mais a dignidade de sua atuação parlamentar. O projeto em questão usa de malabarismos retórico-estatísticos para fomentar a agenda do desarmamento que criminaliza o cidadão de bem que queira ter uma arma de fogo para exercer o direito de autodefesa. Segundo Zimbaldi, armas registradas legalmente acabam caindo nas mãos de criminosos que culminarão em mortes. A desonestidade intelectual do vereador Rafa Zimbaldi é tamanha que ele sequer reconhece o argumento contrário apresentado por John R. Lott, Jr. que afirma que quanto mais armas em poder dos cidadãos menos crimes são cometidos (Mais Armas Menos Crimes: Entendendo o Crime e as Leis de Controle de Armas de Fogo livro publicado pela VIDE Editorial).

  • Luiz Carlos Rossini (PV)
    Formação: Administração, com especialização em orçamento e contabilidade pública.
    Pós-graduação: Mestrando em Planejamento Energético e Meio Ambiente. Está em seu quarto mandato como vereador.

    Matéria legislativa: Apesar de já ter concorrido a prefeitura de Campinas Rossini é autor de propostas absolutamente irrelevantes, como aquela que cria o polo gastronômico, cultural e turístico da região compreendida pelos bairros Castelo, Guanabara, Botafogo e Jardim Chapadão que, na prática, cria os meios legais para a cobrança de Zona Azul onerando os comerciantes dessa região (Projeto de Lei Ordinária 346/2013 –  Processo 214575). Maiores detalhes podem ser conferidos aqui.

  • Neusa do São João (PSD)
    Formação: Ensino médio completo. Está em seu primeiro mandato como vereadora.

    Matéria legislativa: Suas propostas demonstram o quão despreparada está para exercer qualquer cargo eletivo. Um exemplo de completo desperdício de dinheiro público é o projeto que cria o Dia do Perdão (Projeto de lei Nº 405/2013 – processo 214935).  Maiores detalhes podem ser conferidos aqui.

  • Paulo Búfalo (PSOL)
    Formação: Engenheiro. Está em seu terceiro mandato como vereador. Já concorreu a prefeitura de Campinas.

    Matéria legislativa: Apesar da experiência Buffalo utiliza a sua posição de representante do povo para promover agendas partidárias de ataque contra inimigos políticos (moção 71/2014) sem, contudo, obter qualquer benefícios para a população. Maiores detalhes podem ser conferidos aqui.

    Agravante de ordem moral: A exemplo do decreto bolivariano 8.243 que cria conselhos populares não-eleitos, Paulo Búfalo é defensor da Reforma Urbana (eufemismo para desapropriações) como método de subjugar a sociedade civil às vontades de burocratas. A respeito disso foi publicado neste mesmo blog o artigo Revolução Velada em Curso que expõe com detalhes as bases legais utilizadas para criar um Estado Socialista nos moldes venezuelano. Recomendo fortemente a leitura para entender o risco que corre a propriedade privada.

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