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Cinismo de olho nas eleições

A pergunta é tão simples quanto objetiva: no ano de 2014 o que fez pela educação o vereador Paulo Bufalo?

Antes de responder essa pergunta é bom lembrar que o vereador em questão é candidato a uma vaga na Assembléia Legislativa, assim, espera-se que ele demonstre atributos que o qualifiquem para o cargo. Ademais, Paulo Bufalo é mestre em Educação pela Unicamp e atualmente exerce a função de educador em uma escola técnica.

Pois bem, repassado o currículo do aspirante a deputado estadual, ao longo do ano o vereador Paulo Bufalo apresentou 11 matérias legislativas relacionadas à educação – sendo 1 moção, 1 protocolo e 9 requerimentos de informação.

O tom de seus trabalhos pode ser conferido na moção 71/2014 em que ele apela ao conselho universitário da Universidade Estadual de Campinas para que este revogue o título de Doutor Honoris Causa do ex-Ministro da Educação Jarbas Passarinho, concedido em 1973.

No documento apresentado à Câmara Municipal Paulo Bufalo argumenta que “este título é concedido pelas universidades a pessoas de boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições”. Mais adiante, Bufalo lembra que “Jarbas Passarinho foi um dos articuladores de ações que culminaram no golpe de Estado em 1964” e que “em um período que as Comissões da Verdade avançam na luta por justiça e reparações dos crimes da ditadura civil militar brasileira, é fundamental a reparação deste fato por parte da Unicamp”.

O vereador Paulo Bufalo não só falha no exercício de suas atribuições – fiscalizar o Poder Executivo e melhorar a qualidade de vida da população – como faz mal uso do cargo para promover sua agenda revolucionária. Na condição de servidor público qualquer vereador deve satisfações de seus atos à população e não aos interesses do partido. Que o vereador Paulo Bufalo tenha seus motivos para desaprovar a honraria não chega a ser um motivo de crítica em si, este aliás nem é o mérito da questão, mas daí a usar de sua posição de representante do povo e consumir recurso públicos para empreender uma guerra particular é algo de uma desonestidade estarrecedora.

Se em termos práticos a manutenção ou não do título de Doutor Honoris Causa não muda em nada a qualidade de ensino na cidade de Campinas por que então essa insistência em reescrever um passado que remonta há mais de 40 anos? Em seu íntimo Paulo Bufalo sabe que a medida que empreende não passa de uma fraude, um discurso esvaziado de sentido, uma encenação montada com o único objetivo de continuar colhendo dividendos entre aqueles que se auto proclamam perseguidos políticos (e que hoje compõem o alto escalão da política) enquanto desvia o foco do problema real: o sistema educacional brasileiro foi feito para não dar certo[1].

É evidente que o vereador Paulo Bufalo não está preocupado com a educação em si. Se assim estivesse não teria consumido recursos públicos (estes sim alocados a fim de promover ações concretas de melhoria no sistema educacional) para destilar o seu ódio partidário contra inimigos imaginários do passado. E depois Jarbas Passarinho é quem não tem boa reputação, virtude e mérito!

Ética profissional e zelo com o erário público claramente não são marcas registradas do vereador Paulo Bufalo, no entanto, nada disso o impediu de tripudiar contra a administração atual e a vociferar da tribuna, como nos faz saber o artigo originalmente publicado no jornal Metro em 5 de Agosto de 2014 na coluna Olhar Cidadão, assinado pela jornalista Rose Guglielminetti:

A oposição na Câmara de Vereadores de Campinas voltou com tudo. Ontem os parlamentares do PSOL e do PT criticaram a gestão da Secretaria Municipal de Educação. O primeiro foi o vereador Paulo Bufalo (PSOL), que questionou a compra de 196 cofres para as unidades escolares. O gasto, segundo ele, foi de R$ 258 mil. “Como gastar esse dinheiro quando há outras necessidades como a criação de vagas em creches? O que os gestores da Educação têm na cabeça?”, questionou ele na tribuna. A secretaria explicou que os produtos foram comprados para armazenar materiais com valor maior como, por exemplo, tablets comprados para as escolas.

Não vou entrar no mérito se o custo de aquisição dos cofres foi justo ou não, mas a resposta para a indignação do vereador Paulo Bufalo (ou seria encenação?) pode ser dada por outro evento ocorrido no mesmo dia e horário em que o vereador Paulo Bufalo usava da tribuna para fazer propaganda partidária:

Ora, preservar o patrimônio das escolas é uma obrigação de qualquer gestor minimamente responsável, frente a escalada da criminalidade[2]. Já que o Município usou recursos públicos para adquirir projetores, tablets, laptops entre outros recursos didáticos que então os preserve em segurança para fazer jus ao dinheiro dos pagadores de impostos empregado na educação de nossas crianças.

Mas espere que ainda tem mais! O arsenal de bravatas do vereador Paulo Bufalo parece não ter fim. Segue o artigo:

E a metralhadora continuou tanto pela língua de Bufalo quanto do vereador Pedro Tourinho (PT). Ambos querem explicações do governo municipal sobre o convênio entre a prefeitura e a Comunitas – Parcerias para o Desenvolvimento Solidário, que reúne várias entidades ligadas ao setor privado, e irá oferecer projeto de assessoria pedagógica para as escolas municipais. Para a oposição, estas entidades irão executar serviços que são inerentes à administração pública. Muitos educadores também resistem à parceria. Tourinho reclamou da falta de informações sobre o convênio por parte da Secretaria de Educação. Ele quer que a secretária, Solange Pellicer, dê as explicações. Bufalo pediu para que os servidores não forneçam informações às entidades. A prefeitura disse que o convênio não trará custos para a prefeitura e o objetivo é enriquecer o debate com os servidores e com a população.

O nível de cinismo do vereador Paulo Bufalo é típico de quem não acredita naquilo que ele mesmo profere. Há pouco ele argumentava que gastar verba da educação com cofres era um ato repreensível visto que havia outras prioridades como abrir vagas em creches. Pois bem, se o critério moral adotado é o do custo por que então o mesmo vereador Paulo Bufalo agora critica a prefeitura quando o convênio celebrado com a entidade educacional não irá acarretar em nenhum custo ao município?

É claro que tudo isso não passa de um jogo de cena. Paulo Bufalo não tem qualquer apreço pelos recursos públicos tampouco com a educação e seu discurso deixa isso auto evidente.

Desmascarar maus políticos como Paulo Bufalo é uma obrigação de todo cidadão de bem. Na verdade essa é a única forma de expulsar essa escória da vida pública de uma vez por todas. Ou assumimos a responsabilidade de um julgamento moral a altura da administração pública que queremos ou seremos eternamente vítimas de parasitas políticos, que usam de métodos nada éticos para eternizarem-se no poder.

_____________________

Notas:

  1. Acerca da falência do sistema educacional sugiro a leitura do livro de Pascal Bernardin, Maquiavel Pedagogo ou o Ministério da Reforma Psicológica (Vide Editorial, 2012). O estudo feito a partir de documentos oficiais da próprias UNESCO pretende mostrar detalhadamente que o objetivo prioritário da escola moderna não é mais possibilitar aos alunos uma formação intelectual e muito menos fazê-los adquirir conhecimentos elementares. O que se pretende com a redefinição do papel da escola é torná-la nada mais do que o instrumento de uma revolução cultural e ética destinada a modificar os valores, as atitudes e os comportamentos das pessoas em escala mundial.

    No Brasil o resultado dessa engenharia social resultou em cerca de 50% de analfabetismo funcional entre os universitários: http://globotv.globo.com/rede-globo/dftv-2a-edicao/t/edicoes/v/pesquisador-conclui-que-mais-de-50-dos-universitarios-sao-analfabetos-funcionais/2262537/

  2. Taxa de 1.480,60 furtos por 100 mil habitantes apenas em 2013 (Fonte: Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo: http://www.ssp.sp.gov.br/novaestatistica/Pesquisa.aspx)

    Casos de furtos e roubos aumentam 10% em Campinas (Fonte: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2013/10/casos-de-furtos-e-roubos-aumentam-10-em-lojas-de-campinas-diz-acic.html)

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3 comments on “Cinismo de olho nas eleições

  1. Pena que a maioria da população não seja capaz de formar associações entre as ações de um reles vereador e o mal que o mesmo pode causar como Deputado. Neste momento onde o mesmo procura abocanhar algo maior, seria o melhor momento do povo dar-lhe a resposta. Isto já seria bom e depois claro, eliminá-lo de vez na próxima eleição para vereador. Excelente artigo, parabéns.

    • Obrigado pelo seu comentário, Joca Mattos!

      De fato alguns vereadores precisam ser expulsos da vida pública pelas idéias que defendem e em Campinas a escória política fica a cargo dos vereadores Pedro Tourinho (PT), Paulo Bufalo (PSOL) e Marcos Bernardeli (PSDB).

      Não sei se você teve a oportunidade de ler o artigo ‘Revolução Velada em Curso’ publicado em Março (ver https://adoteumvereadorcampinas.wordpress.com/2014/03/02/revolucao-velada-em-curso/) em que o vereador Paulo Bufalo defende o uso de conselhos populares semelhantes aos coletivos não-eleitos do decreto presidencial 8.243 para acabar com a propriedade privada na região. Neste artigo exponho detalhadamente como a pressão de grupos populares é usada para criar um clima de tensões e capitalizar sobre o conflito de terras.

      Quando até um membro do PSDB fala em “abuso do direito de propriedade” é porque a desapropriação é uma simples questão de tempo e não mais de meios de ação.

      Sugiro fortemente a leitura do referido artigo na íntegra uma vez que o assunto é sério e requer a atenção de todos.

  2. […] Matéria legislativa: Apesar da experiência Buffalo utiliza a sua posição de representante do povo para promover agendas partidárias de ataque contra inimigos políticos (moção 71/2014) sem, contudo, obter qualquer benefícios para a população. Maiores detalhes podem ser conferidos aqui. […]

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