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Metade da Câmara tentará vaga de deputado em 2014

Notícia originalmente publicada no Correio Popular em 25/12/2013 e assinado por Milene Moreto e Bruna Mozer

Pelo menos 17 vereadores de Campinas pretendem se candidatar a deputado estadual ou federal

O ano que vem deve ser agitado na Câmara de Campinas. Mais da metade dos parlamentares têm pretensão de lançarem seus nomes como candidatos a deputado federal ou estadual, muitos na tentativa de fortalecer o próprio partido, como é o caso do PSB do prefeito Jonas Donizette, que tem ganhado visibilidade na disputa nacional. Os partidos impõem mais critérios para o próximo pleito e praticamente abrem, cada um, duas vagas. Uma para a corrida eleitoral em Brasília, outra em São Paulo. O número de parlamentares que deverá disputar uma vaga da Assembleia Legislativa e na Câmara, em Brasília, representa 51,5% do Legislativo de Campinas. Ao menos 17 dos 33 vereadores já confirmaram que pretendem concorrer aos cargos. Com isso, o resultado das eleições poderá causar uma nova configuração com a substituição dos políticos por seus suplentes — a lei não obriga a descompatibilização dos vereadores, embora eles possam se licenciar no período de campanha (leia mais em quadro abaixo).

Apesar de sinalizarem a possibilidade de se candidatar, os vereadores alegam que o trabalho no Legislativo não será prejudicado no próximo ano. Esse é o mesmo discurso no Executivo. Jonas afirmou que pretende auxiliar o PSB, mas que seu foco será na Administração da cidade.

O professor de ética da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Roberto Romano, afirma que 2014 será decisivo para a ética pública e trará mais rigor da Justiça, o que poderá tomar o tempo dos candidatos e comprometer o trabalho no poder Legislativo. “Cidades com pautas complicadas no Legislativo serão afetadas pela eleição. Os candidatos terão de se dedicar mais e prestar atenção nas regras eleitorais. A aplicação da Lei da Ficha Limpa também trará complicadores. Enfim, o maior cuidado é para que os candidatos também não utilizem a pauta das Câmaras como forma de obter votos. Esse tipo de ação pode resultar em intervenções judiciais”, afirmou o docente.
Articulações

A oficialização das candidaturas deverá acontecer somente entre março e junho do ano que vem, mas as articulações já estão a todo vapor. O momento agora é de avaliação das coligações que possam oferecer mais vantagens.

Artur Orsi (PSDB), Rafael Zimbaldi (PP) e Luiz Lauro Filho (PSB), que tiveram as votações mais expressivas em 2012, são os nomes mais cotados pelos partidos para alçar voos mais altos. Apesar de Orsi ser temido na Câmara, pelo número de votos que pode obter na cidade, o tucano passou a reavaliar sua candidatura. Para ele, as mudanças nas regras eleitorais deixaram a disputa desigual. Com as relações desgastadas dentro do PSDB, Orsi teme não conseguir viabilizar financeiramente sua candidatura. No entanto, ele já tem “aval” das lideranças tucanas em Campinas — da presidente do diretório municipal e deputada estadual, Célia Leão, e do deputado federal Carlão Sampaio, que também concorrem.

Além de Orsi, Luiz Henrique Cirilo, da bancada do PSDB na Câmara, mostrou sua intenção em participar da disputa. “Existe a vontade de sair, já coloquei meu nome à disposição, mas é preciso respaldo do partido”, afirmou.

A viabilização financeira é um dos principais problemas dos pré-candidatos. O número de votos para conseguir uma cadeira na Assembleia ou na Câmara é infinitamente maior do que para vereador. Pelo sistema proporcional, o Estado de São Paulo tem direito a 70 vagas na Câmara.Com 30 milhões de eleitores, o quociente eleitoral é de 430 mil, o que significa que, a cada 430 mil votos, o partido elege um deputado.

Mesmo com votações expressivas, muitos candidatos podem ficar fora da nova configuração do poder Legislativo. Gustavo Petta (PCdoB), por exemplo, que recebeu 60 mil votos em 2010, não conseguiu uma cadeira na Câmara dos deputados.

Além de Orsi, outro nome certo na disputa é o do sobrinho do prefeito, o vereador Luiz Lauro Filho (PSB). Segundo ele, com a ascensão do PSB no cenário nacional, após a pré-candidatura de Eduardo Campos à Presidência, e o fato de Campinas ter um prefeito pelo PSB, o partido buscará emplacar o máximo de deputados possíveis na Câmara e na Assembleia. “Venho trabalhando na região. Não é uma vontade pessoal, mas partidária”, disse.

Apesar das afirmações de Lauro Filho, de fortalecer o PSB, existe uma briga dentro do partido para saber quem o prefeito vai apoiar no próximo ano. A visibilidade de Lauro Filho causou conflitos ao longo do segundo semestre. Parlamentares que também pretendem se candidatar alegam que o peessebista, por ser sobrinho do prefeito, tem privilégios dentro da Administração e acompanha todos os eventos do chefe do Executivo, além de ter a máquina nas mãos para conseguir votos com mais facilidade. Jonas já afirmou que o PSB na cidade deverá lançar apenas dois nomes, um para cada disputa.

Zimbaldi, líder de governo na Câmara, ganhou notoriedade com os processos de cassação do ex-prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), em 2011. A possibilidade é que ele seja candidato a deputado estadual. “Ainda estamos discutindo, não tem nada certo”, afirmou.
O vereador Luiz Rossini (PV) também afirma que o partido quer se firmar no cenário político lançando candidaturas e emplacando nomes em Brasília e São Paulo. Rossini é nome certo para sair na disputa como candidato a deputado estadual. “O partido definiu que deve haver candidato em Campinas”, disse.

Oposição

A bancada do PT na Câmara não deverá lançar nenhum candidato. O partido possui nomes de Campinas que já estão na Câmara e na Alesp, como o do deputado federal Renato Simões e do estadual Gerson Bittencourt. O ex-secretário de Trabalho e Renda, Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho do PT, também é cotado para a disputa. Os três devem concorrer por uma cadeira na Assembleia.

As decisões do PT são semelhantes às do PSDB, que também evitam um “enxame” de candidatos para garantir a reeleição de nomes que já conseguiram se fixar nas esferas superiores do Legislativo.

O vereador Paulo Bufalo, o único do PSOL, tem a pretensão de se lançar a deputado estadual ou federal. Inicialmente, ele era cotado para sair na disputa a governador do Estado, mas articulações dentro da legenda vão em direção ao professor Vlademir Safatle.

Vereadores que trocaram de sigla fora do prazo devem sair da disputa por não terem condições legais de se candidatar, como José Carlos Silva, ex-PMDB, e Tico Costa, ex-PP.

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