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Doação de urina: mais um projeto inútil do ex-vereador Paulo Oya (PSC)

Mesmo após o fim de seu mandato o ex-vereador Paulo Oya (PSC) continua trancando a pauta legislativa com proposições absurdas. O assunto agora é doação de urina de mulheres grávidas.

Segundo o projeto de lei ordinária 254/09, processo 189.690 a Secretaria Municipal de Saúde ficaria responsável por promover uma campanha anual sobre a importância de doação de urina pelas munícipes gestantes. Os meios para tanto também não ficam claros visto que o projeto não dispõe sobre como a coleta de urina seria feita e tão pouco sobre quem a beneficiaria.

Ficou confuso sobre a utilidade da urina? Vamos as justificativas desse projeto de lei:

Esta proposta já é lei nos município (sic) de São Paulo/SP, sancionado este ano pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM).
Existe o Programa HCG (sic) foi criado no Brasil em 1986.
O objetivo do programa é identificar mulheres no início da gravidez e convidá-las a doar urina até a 18ª semana de gestão. Através da urina doada será extraído o hormônio HCG (Hormônio Coriônico Gonadotrófico). O HCG é liberado pela placenta e mantém a gravidez no início do desenvolvimento do embrião.
O hormônio HCG está presente nos primeiros meses e funciona como um anti-abortivo. Ele estimula a ovulação e torna a gravidez possível.
Devido às suas características, o HCG tem sido usado como matéria-prima na produção de medicamentos prescritos em tratamento de infertilidade feminina e casos de criptorquidismo no homem (retenção de testículos).

A razão principal da existência do programa é estimular a doação da urina pelas mulheres grávidas, por isso a justificativa do presente projeto de lei.

(Grifos meus)

Não vou discutir o uso do HCG como medida terapêutica, mas questiono a competência da Secretaria de Saúde de Campinas na fabricação de medicamentos de qualquer natureza. Talvez não tenha ocorrido ao ex-vereador Paulo Oya, mas a cidade não é dotada de um centro de referência e tradição como é o caso dos institutos Pasteur e Butantan, ambos ligados a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Se não temos a competência técnica necessária para transformar urina em medicamento então a presente proposição não faz o menor sentido, levantando, inclusive, suspeitas sobre a sanidade mental de quem a propôs.

Ademais, o próprio Paulo Oya admite que a razão principal da existência do programa é “estimular a doação de urina pelas mulheres grávidas, por isso a justificativa do presente projeto de lei”. Ou seja, estimulamos a doação sem o mínimo senso de responsabilidade em como transformar matéria prima em produto acabado. Este é mais um exemplo de projeto de lei com efeito mágico, a exemplo de nossas equipes de planejamento que criam de empregos ou estimulam crescimento econômico por decreto.

O absurdo da situação é auto-evidente e já seria o suficiente para desqualificar a proposição e denunciar quem insiste em rebaixar o debate político a categoria da fantasia. Se alguém ainda tinha dúvidas, eis a prova de que nossa classe política vive em uma realidade a parte do resto da população.

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2 comments on “Doação de urina: mais um projeto inútil do ex-vereador Paulo Oya (PSC)

  1. Essa lei apenas vem a cooperar com Laboratórios Farmacêutico que usam essa matéria prima e tem dificuldade de conseguir a mesma.
    Diga-se de passagem que esse método está sendo abolido pelo alto risco de produto contaminado e está sedo substituído por produtos de Bio Tecnologia que é seguro e puro. O risco do produto contaminado está em colher no momento da janela imunológica do paciente, isso é a pessoa tem a doença como exemplo HIV e por um período de tempo não apresenta em exame nenhum.
    Em resumo esse projeto está atrasado e podemos dizer até mesmo que é irresponsável.

    • E digo mais Edison, além de tecnologicamente ultrapassado o projeto de lei do jeito que foi proposto sequer ajuda os laboratórios porque nem sistema de coleta, armazenamento e transporte adequados está previsto. É mais um exemplo de desperdício de recursos públicos em nome de uma suposta preocupação com matéria legislativa de interesse geral, coisa que obviamente não é.

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